domingo, 20 de junho de 2010

Questão desemprego

O DESEMPREGO

O desemprego é a incapacidade temporária das pessoas consideradas em idade “ativa” de exercer qualquer atividade econômica. Resalva-se a importância da consideração da idade ativa (geralmente entre 14 e 65 anos) para a definição do desemprego, pois, há leis que amparam as pessoas abaixo ou acima destas idades protegendo-as ou as beneficiando com aquilo que têm direito. A lei de proteção contra o trabalho infantil, por exemplo, ampara crianças e jovens abaixo de 14 anos de exercerem atividades econômicas, protegendo-as contra abusos e explorações que podem ser submetidos e incentiva a educação. Há também projetos auxiliares de inserção no mercado de trabalho para jovens como o “Menor Aprendiz”, onde a partir de 14 anos já se pode exercer este tipo de atividade com carga reduzida, priorizando a aprendizagem de uma profissão e não interferindo na educação. Estima-se, segundo dados do IBGE (2001), que no Brasil, mais de duas milhões de crianças abaixo dos 14 anos trabalhavam irregularmente até o término da pesquisa..

Por outro lado, existe o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), responsável pelo pagamento das aposentadorias e demais benefícios dos trabalhadores brasileiros, exceto servidores públicos. A aposentadoria prevista pela Previdência Social beneficia os contribuintes acima de certa idade ou invalidados de trabalhar, de receberem uma quantia mensal equivalente ao tipo de contribuição, assim que cessam suas atividades econômicas assalariadas.

Existem diversos tipos de desemprego:

• O Desemprego Estrutural, característico de países subdesenvolvidos, está relacionado com as características particulares de sua economia. Explica-se pelo excesso de mão-de-obra empregada na agricultura e atividades correlatas e pela insuficiência dos equipamentos de base que levariam à criação cumulativa de emprego

• O Desemprego Tecnológico atinge com mais intensidade os países mais desenvolvidos. Este tipo de desemprego se caracteriza basicamente pela substituição do homem pela máquina, consequentemente gerando a maior procura por técnicos e especialistas do que por trabalhos considerados braçais.

• O Desemprego Conjuntural ou Cíclico está relacionado diretamente com a depressão bancária, quando os bancos retraem os créditos. Isto retrai investimentos e gera consequentemente um aumento de preços. Devido a este aumento de preços, o poder de compra dos assalariados diminui.

• O Desemprego Friccional é o de menos impacto para a economia. Consiste basicamente na mudança de emprego ou atividade dos indivíduos.

• O Desemprego Temporário é o mais comum nas regiões agrícolas. É um subemprego relacionado com as características sazonais do trabalho em certos setores agrícolas, quando, por exemplo, há uma ausência de emprego na agricultura quando está não está em período produtivo.



CAUSAS

As causas do desemprego são as mais variadas possíveis. Vamos falar um pouco sobre as mais citadas.

O desenvolvimento tecnológico é uma das mais atuais causas do desemprego. O grande causador do desemprego tecnológico é o responsável, entre outros, pela grande migração da população rural para as cidades como pela diminuição do campo de trabalho para pessoas não-especializadas. Estamos falando da substituição do homem pela máquina. Suas consequências são inúmeras. A migração da população rural para as cidades, por exemplo, gera super população, expansão desordenada da cidade, como a criação de bairros irregulares, favelas, e problemas sociais como fome, e criminalidade.

A busca pela redução de custos leva às empresas a prática da terceirização ou outsourcing. Leonardo Leocádio - pesquisador em nível de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Universidade Federal de Santa Catarina) e professor - define a terceirização como uma prática que permite a empresa abrir mão da execução de um processo e transferir para um terceiro, portador de uma base de conhecimento mais especializada, com o objetivo de agregar maior valor ao produto final. Este processo também gera desemprego quando há cortes de funcionários na empresa para terceirizar um processo, e é importante frisar que há estudos que indicam que trabalhadores terceirizados têm salários, benefícios e condições de trabalho inferiores, caracterizando uma precarização do trabalho.

A mudança de local de empresas gera o fenômeno da desindustrialização. Algumas empresas mudam de estado para conseguir isenção fiscal, outras procuram uma melhor localização para o mercado consumidor, há também exemplos de empresas que se mudam para perto de outras em função de parcerias. Todas estas mudanças deixam para trás uma série de desempregados além de o município perder a renda que a empresa gerava.

Modernas técnicas de administração como a reengenharia - que radicaliza ao repensar e redesenhar processos de trabalho - e o downsizing - que reduz os níveis da gestão e das dimensões da organização através da anulação de áreas produtivas não essenciais - também exercem forte influência no fenômeno do desemprego.





SOLUÇÕES

“Não há nenhuma convergência em relação às soluções para o desemprego. O que é solução para uns, pode ser causa de desemprego para outros.” (José Nilson Reinert)

Esta citação de Reinert é realmente consistente e nos faz pensar, porém, medidas devem ser tomadas para a minimização deste problema.

Atualmente é muito incentivado o empreendedorismo no Brasil. Destaca-se a importância da educação empreendedora desde os primórdios da educação. Segundo o professor de empreendedorismo José Dornelas “faltam políticas duradouras dirigidas à consolidação do empreendedorismo no país, como alternativa à falta de emprego”. Instituições como o SEBRAE e incubadoras de empresas surgiram para oferecer assessoria gratuita ou a preços simbólicos para novos empreendedores. Bancos de fomento mercantil oferecem crédito para os mesmos. O empreendedorismo gera oportunidades para o empreendedor e para possíveis futuros colaboradores.

A facilitação do consumo e do crédito também é importante para injetar dinheiro na economia, sendo uma grande alavanca de expansão econômica para as empresas, trazendo novas oportunidades.

Novas políticas fiscais e monetárias adequadas também seriam fundamentais. Sabe-se que a carga tributária é o maior responsável pelo medo de criar e fechamento precoce da maioria absoluta dos novos empreendimentos no país em poucos anos.

Uma das, senão a melhor alternativa para a solução do desemprego está na educação. Líderes de países já notaram isto. A presidente do Chile Michelle Bachelet, ao tomar posse, sabia dos grandes problemas do Chile, e, foi realista ao saber que não conseguiria solucionar todos, mas enfatizou que a educação seria a grande medida para reverter as condições do país. Países que têm os melhores sistemas de educação são em grande maioria de primeiro mundo, desenvolvidos.

O governo brasileiro oferece vários auxílios a famílias de baixa renda, como bolsa família, vale gás, entre outros, mas, não há grandes políticas governamentais em prol do desemprego. O seguro desemprego que paga quantias mensais por determinado prazo relativas ao período de trabalho, cargo, salário, entre outros, talvez seja a única garantia prevista por lei que o desempregado tenha, porém, não resolve o problema.

Alguns países tentam definir o “desempregado”, e adotam critérios para classificá-los, ficando assim mais fácil de minimizar a causa, porém, no Brasil não há um consenso sobre as suas causas e extensão dos problemas do desemprego.

"SE FOSSE FÁCIL, eu me candidataria a presidente da República e contrataria o Duda Mendonça para convencer os brasileiros de que tenho aqui no bolso a solução milagrosa.” José de Souza Martins (Professor da FFLCH-USP) sobre o desemprego.



Gustavo Lincoln

Estudante de Administração

15/6/10

1 comentários:

  1. Esse tema sempre se desdobra... muito boas as suas reflexões... aplausos!

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