É impressionante o crescente número de universitários administradores no Brasil. As admissões nas faculdades do país já superaram o curso de direito. Seria uma boa notícia se todo este esforço fosse realmente convertido em atividades concernentes ao que o curso ensinou.
O que vemos é um grande número de universitários administradores que simplesmente abandonam o curso, que estudam pra tirar a média e passar de semestre - ou ano - apenas, universitários que ao passar de período, já se esqueceram do que estudaram. Não é difícil encontrar algum no segundo período que já não se lembre quem foi Weber, Maslow, ou outra figura carimbada no curso de Administração.
O fato é que qualquer faculdade tem estrutura para ministrar um curso de administração. Um curso que não necessita de laboratórios, aparelhos sofisticados, entre tantos outros recursos que outros cursos necessitam essencialmente. Um bom livro de Chiavenato e disposição para ensinar já é o necessário para ensinar a teoria da administração. A grade em cada faculdade muitas vezes adapta-se ao que esta tem a oferecer. Já tive a oportunidade de conhecer grades curriculares que enfatizam tanto matérias relativas, que os alunos só começam a aprender realmente a essência da administração no segundo período. Um desperdício de seis meses em um curso relativamente curto, de geralmente quatro anos para se tornar um administrador.
“Na dúvida, faça administração”. Infelizmente, isto é o que mais vem acontecendo por aqui. Estudantes que não decidem a tempo a profissão que querem levar embaixo do nome pro resto da vida, e no final das contas, fazem administração. Muitas vezes os indecisos acreditam que é um curso mais teórico, e a unanimidade do medo destes, é o peso que a matemática influencia no curso. Apostando na “facilidade” que um curso de Administração pode oferecer, as futuras “promessas” de administradores abandonam o curso quando vêem que não era aquilo que realmente esperavam.
Outro mal constante em toda universidade é o desleixo e falta de compromisso que muitos universitários têm. Acredito que não serei questionado ao dizer que muitos estudantes emendam o horário de intervalo da faculdade na sexta à noite para estudar administração de bares e botecos da cidade.
A segunda chamada das provas já não assusta mais para quem não fez a primeira prova por descompromisso. Nem o valor cobrado em muitas faculdades para aplicar a segunda prova impressiona ou sequer afeta os alunos. A avaliação final, a última chance de fazer uma prova para conseguir créditos para avançar de período quando o aluno faltou a todas oportunidades de fazer a primeira prova, é a chance que estes precisam para empurrar com a barriga na caminhada pelo diploma, tão inspirador.
Muitos já ouviram o jargão de que escola é bom, mas faculdade é muito melhor. E de fato isto é estimulante pelo lado da diversão que a liberdade da faculdade oferece, com os entretenimentos mais adultos, diferentemente daquilo que éramos tão ceifados no ensino médio.
Acredito que aos poucos o curso está se tornando banalizado, e se hoje ter um diploma já não é garantia, como antigamente era, certamente em um futuro não tão distante, uma pós graduação será quase obrigatória para quem queira destacar-se.
Você, futuro administrador, precisa cobrar de si mesmo a dedicação e esforço necessários para se tornar um excelente profissional. Se o curso não está o agradando, reveja seus conceitos, reflita se ser um administrador é o que realmente quer, pois o mercado está ficando saturado, e no final, aquele diploma conquistado às mínimas penas o fará indagar quanto tempo perdeu em algo em que, no fim, não se identificava tanto.
Precisamos de administradores centrados, confiantes e decididos a não serem apenas mais um, mas sim, os diferenciados que farão a diferença na nossa economia, na nossa sociedade, nas nossas vidas.
Gustavo Lincoln
Estudante de Administração
20/7/10
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